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Quando mãe fala…

Quando mãe fala…

Leva blusa que vai esfriar“….

Quem nunca ouviu essa frase vindo de sua própria mãe, que atire a primeira pedra. Mas todo mundo que já passou dos 30 e poucos anos sabe que tem sempre uma verdade quase odiável nos conselhos certeiros de mãe. E foi por não ouvir um conselho de mãe que eu encarei hoje uma verdadeira prova de obstáculos…

E olha que eu já enfrentei oito corridas de obstáculos na vida, mas nunca foi tão difícil chegar em casa como hoje (em um percurso de apenas quatro quadras pequeninas). Mas comecemos do princípio nessa história que é uma pílula pós-almoço para distrair o seu dia…

Eu trabalho em home office e, como já é habitual, almoço todos os dias na casa da minha mãe, que mora há quatro quadras da minha casa. Geralmente isso acontece umas 12h30. Eis que hoje quando fui sair, o portão eletrônico do prédio resolveu me sacanear (até então eu acreditava que era o portão). Abriu normalmente, saí com minha bicicleta e ao acionar o botão pra fechar, ele foi até a metade e parou… Tentei mais algumas vezes e nada. Pensei “ou é o controle ou o portão, mas levando em conta que fechou até a metade, deve ser o portão”. Mandei mensagem no grupo de whatsapp pedindo que alguém fechasse o portão por mim e enquanto aguardava que alguém lesse e acionasse o controle pra fechar, tentei investigar o meu controle. E percebi que a luz vermelha dele piscava enlouquecidamente e fora de ritmo enquanto eu tentava. Então logo imaginei que poderia ser a bateria ou algum mau contato.

O avô de uma das moradoras chegou (ele sempre vem trazer algumas coisas pra neta nesse horário) e perguntei se ele tinha o controle, mas não tinha… E no grupo, nada de ninguém ler. Nisso já se foram uns vinte minutos… Fiquei ali papeando com o senhor tentando encontrar uma solução, até que minha nova vizinha de cima chegou e fez a gentileza de fechar o portão. Ótimo, sem riscos de segurança para o prédio, eu poderia ir almoçar tranquila e depois resolvia a questão do meu controle.

No trajeto até minha mãe, que não dura nem dois minutos inteiros de bicicleta, já percebi que a chuva logo chegaria, mas como é Itu, poderia ser que nem caísse… Mas de alguma forma aquele portão enroscado já tinha quebrado a minha programação diária com um atraso de meia hora e um pequeno sinal de mau presságio…

Enfim cheguei, abri o controle e percebi que tinha água dentro. Meu pai disse que poderia ser isso que estivesse causando o mau contato. E faz sentido, pois dia desses minha bicicleta tomou um pé d’água com o controle no bolso. Eu almocei, ele limpou o controle e quando eu estava me preparando para sair, começou a cair uma chuva de pingos graúdos lá fora, dessas tempestades de verão típicas de janeiro… Fui espiar se ia demorar muito pra passar, pois tinha uma lista gigante de trabalho em casa me esperando para o segundo turno.

Percebi que não era uma chuva de cinco minutos e já logo pedi um guarda chuva emprestado:

– Vou a pé mesmo, deixo a bike aqui e pego a tarde com as outras coisas que preciso levar.

Aí o conselho de mãe entrou em ação, ainda na primeira fase:

– Mas espera um pouco, a chuva vai passar logo.

Nisso um raio despencou e eu nem precisei responder que não ia passar logo coisa nenhuma…

Ela perguntou se eu não queria o carro emprestado (fase dois do conselho de mãe) e eu disse que não precisava, só o guarda-chuva mesmo. Era pertinho e tava calor, ia molhar só o pé…. E aí veio o conselho de mãe (fase três) em sua força maior:

– Tem certeza? Olha que vai molhar tudo, hein… Pé, perna, bunda… Pega o carro…

– Não mãe, não precisa. Vou a pé mesmo.

Minha mãe foi até a garagem, me despedi e comecei a subir a rua. Mal estava na esquina, a prova de obstáculos começou…. Caiu um raio que se não foi na rua de cima, foi na próxima, claro, nítido e com um estrondo que ecoou descida abaixo na rua e já testou minha situação cardíaca na hora. Era quase a mesma coisa que passar pelo obstáculo dos 1000 volts na Bravus…. Até a reflexão sobre continuar ou arregar foi igual…. Fiquei pensando se deveria voltar pra minha mãe, que estava a menos de 50 metros, ou ir pra casa. E, claro, insisti em continuar.

Dobrei a esquina e na primeira travessia de calçada o volume de água já mostrou que a chuvinha não ia molhar só o pé, não… Mas de jeito nenhum! Era provável que molhasse até o pescoço… E segui. Assim como os raios, que depois de uns 30 passos daquele primeiro resolveram continuar testando meu coração, sempre bem próximos. Eu só olhava pra cima e pros lados pensando onde é que eu ia me esconder do Thor, mas resolvi só acelerar pra chegar logo em casa.

Uma quadra pra frente perdi o chinelo. Obvio que isso ia acontecer. Mas a sorte é que perdi em um trecho sem água corrente, então deu pra recuperar. aí eu já andava rápido, com os dedos dos pés fincados no chinelo pra não perdê-los, olhando pro céu e tentando prever de onde viria o próximo raio….

Então veio a próxima travessia de rua: era a mesma coisa que enfrentar uma corredeira: zero chance de sair dela sem se molhar e nenhum caminho pra desviar dela. Pra quem já estava molhada até a canela, vambora! A água estava até quentinha, de tanto calor que fez durante a manhã. Nisso já nem carro na rua tinha mais… E eu pensando “pra quem peço ajuda se der ruim?”…. Vai filha, se apruma e chega logo em casa que só falta uma quadra…

Uma quadra. A quadra! Subida e a quadra que mais sobre com alagamento na sarjeta quando chove. E chovia! Muito volume de água pra pouca sarjeta. E nessa primeira travessia da quadra a água já lavou até o joelho e uma parte da coxa. Era a versão aquática do obstáculo Vietnã da Bravus. Então vamos encarar…

Uma moto estacionada em 45 graus na sarjeta completou o cenário e formou uma pequena cachoeira que vinha toda em direção à calçada, sendo que o único caminho possível era nada de novo para a rua e correr o risco de surgir um carro ou nadar na calçada entre a moto e o portão de uma casa. Resolvi escolher o trajeto dois. E foi aí que lavou o que ainda não tinha sido molhado pra baixo da cintura, 😂…

Acabou a subida e dobrei a rua rumo ao trecho final para a linha de chegada. No prédio da esquina tem aquelas vagas para carro estacionar na calçada. Mas o carro era longo e pegava até o limite da calçada. Logo, lá fui eu nada de novo (garrando na chinela) em plena sarjeta pra passar pelo carro.

Achei que este seria o último obstáculo, mas teve mais… Um escritório que é o penúltimo prédio antes do apartamento tinha dois carros estacionados em frente e bem colados na sarjeta. Isso formou um “piscinão natural” em toda a calçada. Se a água estivesse gelada seria a mesma coisa que o Sibéria na Bravus. Mas estava tão quente que era praticamente o obstáculo invertido.

Finalmente na linha de largada, achei que era uma boa testar o portão eletrônico e evitar as escadas. A boa notícia é que funcionou! A má é que com a chuva, molhou o controle tudo de novo…. 😂😂😂

Cheguei em casa e pensei “Certeza que isso é praga de mãe porque não ouvi o conselho dela. Pior que molhou até o pescoço mesmo, porque o guarda-chuva estava com um furo”…. Mandei uma mensagem pra ela contando a peripécia e ainda tinha que ouvir piada e um “eu avisei”…

Fui tomar banho depois do estrago e quando sentei pra começar a trabalhar de novo, a chuva tinha praticamente parado… Ou seja, se eu tivesse escutado e esperado, ia ter perdido o mesmo tempo sem tanto susto e estrago 😂.

Nunca duvide de um conselho de mãe….

4 thoughts on “Quando mãe fala…

  1. Reply
    Adriana
    12 de janeiro de 2021 at 18:05

    Grande história Lê… Mas conselho de mãe é pra ser ouvido e seguido mesmo. Kkk

    1. Reply
      Letícia Spinardi
      12 de janeiro de 2021 at 22:43

      Sempre, Dri!!! hahahaha…..

  2. Reply
    Darci
    17 de janeiro de 2021 at 06:10

    Adorei!!!! Tragicômico!!! 😊

    1. Reply
      Letícia Spinardi
      17 de janeiro de 2021 at 11:48

      Obrigada pela visitinha!! 🙂

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