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Duas gerações e uma música incrível

Duas gerações e uma música incrível

Esse era para ser um post sobre as Descobertas Musicais da Semana, mas não dá para ser só isso.

Entre as minhas Descobertas Musicais da Semana (passada), está o videoclipe “The Cure“, da Olivia Rodrigo, que o YouTube trouxe naquelas aleatoriedades da vida. Entrei pela capa, fiquei pelo conteúdo. Literalmente.

Um música brutalmente bela sobre como os vazios internos não podem ser preenchidos nem pelas pessoas mais incríveis do mundo, mas apenas por nós mesmos. Olivia a escreveu para falar sobre um antídoto para o coração partido, mas que quando a mente está repleta de inseguranças e dúvidas, nem o mais incrível novo amor pode ser a cura.

A melodia acompanha a letra e cria uma crescente envolvente e rítmica deliciosa de ouvir no fone de ouvido.

E aí, com isso, passei a dar um pouco mais de atenção para esse nome que já circula em alta por aí há algum tempo nos festivais e notícias do mundo da música, mas que para falar a verdade eu não tinha dado atenção alguma.

Aí botei o álbum novo da moça no fone de ouvido e fui seguir a vida com meu spotify ao lado. E eis que do nada, na faixa “What’s Wrong With Me” me deparo com uma voz inconfundível em parceria com a Olivia e pensei… “Népussive que é o Robert Smith?!“… Pois bem, era o próprio!

E logo pensei:. “Cara, imagina que surreal deve ser para uma moça de apenas 23 anos que é um dos rostos da música de qualidade na nova geração ter a oportunidade de gravar uma faixa com uma lenda dos anos 80 que completou nada mais do que 50 anos só de banda em 2026!

Sim, o The Cure – agora estamos falando da banda do Robert Smith e não da música da Olivia – surgiu em 1976 e se tornou um clássico da melancolia adolescente e riffs intermináveis nos anos 80. Uma multidão – eu estava lá – se reuniu para ouvir esses caras ao vivo no Primavera Sound 2023, com Smith ainda liderando o grupo com seu visual icônico e faixas que marcaram tantos filmes da sessão da tarde.

Olivia, com 23, gravou com Smith, hoje com 67, e uniram gerações com um intervalo de 40 anos no meio deles. Isso é algo tão especial. É uma chance da moçada jovem conhecer clássicos que moldaram a história da música que eles apreciam hoje e uma chance dos mais velhos abrirem espaço para novos talentos que merecem atenção no meio de tanta porcaria e IA que circulam por aí hoje em dia.

A colaboração surgiu depois que os dois se aproximaram em Londres. Ligados pela melancolia, talvez? Vai saber… Fato é que pensando bem, eles tem estilos não muito distantes mesmo.

A faixa apresenta fortes influências dos anos 80, com a produção de Dan Nigro e ajustes feitos com a ajuda do próprio Robert Smith. E a música, coincidentemente, foi apresentada ao vivo pela primeira vez de forma surpresa durante o festival Primavera Sound 2026, em Barcelona.

Coisa linda ver essa mistura de gerações mantendo vivo o espírito da boa música 🙂

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