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Um Super Bowl (ainda mais) histórico

Um Super Bowl (ainda mais) histórico

O Super Bowl deixou de ser apenas um final de campeonato para assumir o posto de evento de proporções internacionais há muitos anos. Provavelmente o maior acontecimento anual da audiência televisiva estadunidense e internacionalmente reconhecido por realizar o maior show do intervalo no mundo dos esportes.

As edições históricas já não cabem mais em duas mãos e a grande meta – e desafio! – da organização é tentar se superar a cada ano.

Pois bem. Podemos dizer que em 2026 eles cumpriram a missão de forma inesquecível. E não foi apenas por trazer um dos maiores ícones da música atual para o palco não. Foi por peitar a instituição governamental americana, representada exclusivamente pelo seu presidente maluco e laranja, Donald Trump, em pleno caos e guerra interna da perseguição aos imigrantes no país.

Logo na abertura, os caras trouxeram ninguém menos que Green Day com sua faixa “American Idiot”.

A música por si só já é uma tremenda mensagem de protesto sem que seja necessária muita explicação. Mas a questão é: o Green Day é conhecimento principalmente por seus discursos críticos à política extremista do governo. E eis que durante a apresentação eles optaram por apenas cantar mesmo. Eu vi o show deles aqui no The Town de 2025 em São Paulo e presenciei um belo de um discurso em pleno 7 de Setembro, preparado com cuidado para brasileiros em crítica ao governo americano e aos nossos próprios políticos. E de repente os caras não falaram absolutamente nada ali no grande espaço que tinham em mãos.

Ainda não deu pra entender muito bem se isso foi uma recomendação da organização pensando na grande bomba que estava aguardada para o show do intervalo ou se foi escolha da banda. Mas já começamos o evento com uma mensagem através da música, querendo ou não.

Mas aí veio o show do intervalo…. E Bad Bunny não veio apenas para cantar. O homem veio para hastear uma bandeira que pesou com força nas costas de Trump. E usou o maior canal de comunicação do país para isso.

Só pra começar, ele cantou TUDO apenas em seu idioma – que NÃO É O INGLÊS – e de quebra citou todos os países do continente americano para dar uma lição de geografia no laranjão, com direito à bandeiras, infinitas referências nos cenário, uma bola de futebol americana gravada com “Juntos nós somos a América” e um outdoor final com os dizeres “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”.

E tem muito mais por trás dessa apresentação.

A política de limpeza de imigrantes de Trump não é novidade. Começou com aquela novela de construir um muro para separar o México e vem se intensificando a cada ano, estando agora no augo do caos interno em virtude das ações violentas que o ICE – Polícia de Imigração – tem instaurado no país para cumprir as determinações do big orange bicudo.

E bem na semana seguinte em que esse fervo virou protesto durante o Grammy, onde Bad Bunny lançou um “ICE OUT” ao receber sua premiação, a NFL convoca o cara para cantar no show do intervalo. Só aí já tinha um recado enorme sem muito esforço.

Esse mesmo rapaz não fez nenhum show em solo estadunidense durante sua turnê mundial para não criar pontos fáceis de coleta para o ICE. Optou por não lucrar a colocar seus conterrâneos latinos em risco.

Mas aí o moço porto-riquenho vem apenas para o maior evento do país, canta tudo em espanhol, hasteia bandeiras de todos os países do continente, bota cana de açúcar no cenário, trabalhadores rurais representando os imigrantes que são a grande força da mão de obra no país e saca do bolso todo um arsenal revolucionário como quem chama o menino mimado sentado no topo do poder para a briga na rua.

E faz isso diante de 133 milhões – 133 MILHÕES – de americanos assistindo a um show 10% latino, espanhol, no evento mais sagrado para o estadunidense.

Detalhe: Bad quase cancelou sua participação, porque o governo Trump ia espalhar agentes do ICE pelo evento e isso era automaticamente uma ameaça velada para prender imigrantes indocumentados. Então Bunny exigiu em cláusula contratual que a segurança do estádio seria 100% privada e a NFL aceitou porque queria mais do que seu show do intervalo, queria a audiência máxima para garantir o seu faturamento que envolve contratos bilionários. E quem ajuda a garantir (e muito!) os números da audiência? A população latina alocada no país!

Bunny não só causou um reboliço, mas chamou atenção até de quem não sabia quem ele era e, arrisco dizer, ganhou uma nova legião de fãs que antes sequer sabiam se sua existência (me incluo nessa – pois obviamente eu sabia da existência porque muito se fala nesse nome, mas eu não tinha ideia nem de que estilo musical ele cantava).

E segundos depois do show o Trump mimado fez o quê? Correu pro X publicar sua crítica e transformou sem muito esforço seu oponente em líder símbolo da resistência latina.

Isso não vai ficar barato, claro. Trump vai aumentar esforços, acelerar deportações, e tudo isso com uma Copa do mundo batendo à porta, considerando que têm à frente algo ainda maior para lidar.

E a questão aqui não é a discussão política de se tá certo ou não o estrangeiro sem documento ficar em outro país. A questão é a violência com que Trump conduz tudo em seu governo. É como cada vontade de um menino mimado é transformada em ordem suprema, destruindo até mesmo o patrimônio estadunidense para satisfazer os próprios caprichos sem sentido (o cara simplesmente mandou derrubar parte histórica da Casa Branca como se fosse uma de suas propriedades para deixar do jeito que ele queria). E nem vamos falar sobre as intromissões dele em assuntos de outros países ou as ações para tomar territórios que não lhe pertencem. É um lunático sem explicações.

O ponto é: o super Bowl nunca teve uma edição TÃO histórica quanto essa antes. Não pelos números, mas por toda simbologia que os acontecimentos carregam, sobretudo neste momento.

Se os extremismos políticos e a cegueira que geram não fossem tão absurdos, pelo menos 30% dos problemas com os quais temos que lidar certamente estariam resolvidos. Nos Estados Unidos, aqui no Brasil, na Rússia e em tantos outros lugares…. E as pessoas talvez finalmente entendessem que a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor.

“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.” (Nelson Mandela).

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