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AmarElo – É Tudo Pra Ontem

AmarElo – É Tudo Pra Ontem

Qual é o seu propósito? Essa é uma pergunta que me ronda todos os dias.

Emicida é alguém que entrega sua resposta ao conceber o disco e o show-documentário “AmarElo – É Tudo Pra Ontem”. Esse é o seu legado de inclusão para tantas pessoas que precisam de representatividade e tantas outras que ainda vivem às margens da realidade e precisam entender a complexidade dessa questão.

AmarElo é um entretenimento necessário. Em tempos nos quais as discriminações ainda são tão gritantes, sobretudo em um ano em que testemunhamos tantas cenas brutais de violência, Emicida construiu um documento histórico que narra uma viagem desde os antepassados da escravidão brasileira até o momento atual. Melhor que muita aula de história por aí…

Além de ser uma oportunidade de conhecer melhor o rapper – confesso que eu pouco conhecia, mas não era alheia a sua representação na música e sociedade brasileira – a obra ainda traz um verdadeiro deleite poético em cada composição. Sem contar as viagens históricas pelo samba e pelos movimentos artísticos nacionais que abriram as portas para as primeiras discussões sobre igualdade, como os modernistas e a Semana de Arte Moderna de 1922, que tanto reavivou as memórias das tão bem desenhadas aulas de artes da Professora Lourdes no colegial (obrigada por tenta contribuição que jamais esquecerei, profe!).

Mas, sem sombra de dúvida, um dos momentos mais marcantes é a homenagem aos representantes do MNU – Movimento Negro Unificado – contra o racismo nas escadarias do municipal, dessa vez ocupando suas merecidas cadeiras na plateia do Teatro Municipal de São Paulo. É de arrepiar.

O Municipal, por sua vez, é apenas o símbolo de ocupação que Emicida encontra para mostrar que a igualdade vai muito além do respeito verbal. Trata-se de ocupação, em todos os sentidos. Mas o mais legal é que ele faz isso sem privilegiar a exclusão de todos os demais em função de exaltar a igualdade aos gêneros oprimidos. E por isso a plateia que vemos é tão mista, tão rica, tão completa.

Essa igualdade é coroada com o contraponta da presença de grandes figuras histórias da cena nacional, como Wilson das Neves, e Fernanda Montenegro, e com a entrega final do disco e tema do show. É a faixa “Amarelo – É Tudo Pra Ontem”, que reúne a herança histórica das palavras de um branco – Belchior – à composição de um negro com participação de uma trans e uma drag queen. Duvido que você não termine cantando junto.

Você certamente vai sair dessa uma hora e meia mais rico. Eu revi contextos históricos, aprendi mais sobre as raízes da música brasileira, descobri que o rap pode ser incrivelmente poético e que a música, assim como em um show de rock que reúne inúmeras gerações, sempre terá o poder imensurável de quebrar fronteiras e unir todos os povos, raças, credos e sentimentos.

Tudo pra Ontem. Por ontem e pra ontem…

Tem lá no Netflix 😉

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