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Dia 13 – Mammoth Lakes > Yousemite > Ceres

Dia 13 – Mammoth Lakes > Yousemite > Ceres

Chega de estrada, é hora de curtir a natureza! Conhecer Yousemite é uma das experiências mais libertadoras e leves que você pode ter. Belezas naturais, paisagens inacreditáveis e muitos, muitos penhascos de gelar a barriga dentro do motorhome…

Depois de passar um dia inteiro rodando mais que caminhoneiro em começo e fim de mês, é hora de ver um pouco de gente, por favor!

E a programação de hoje era bem agitada… A essa altura nossa breve experiência de viajantes das estradas já permitia prever que seria impossível cumprir todo o cronograma, mas isso porque não tínhamos ideia do trânsito que nos esperava em Yousemite em pleno sabadão, hahaha….

Enfim, na nossa inocência, a ideia era tentar o seguinte:

  • 06:00 – Café da manhã  
  • 07:00 – Mammoth Lakes
  • 12:00 – Yousemite / Tunnel View / Eagle Peak / Glacier Point / Cathedral Lake / Half Dome / Yosemite Valley / Cachoeira Bridalveil (Véu da noiva) / Mirror Lake (Lago Espelho) / Toulumne Grove / Tenaya Lake / Yousemite Falls
  • 16:00 – Sequoia National Park / Mariposa Grove
  • 21:00 – San Francisco / RV Park

Obvio que não deu e foram preciso várias adaptações….

 

Sem contar que nesse meio aí o desejo de escapar até Lake Tahoe e esticar o cronograma em mais um dia era grande… Porém tínhamos data para estar em San Francisco por conta da reserva em Alcatraz e outra data mais importante ainda em San Jose, para ver o jogo dos Duckys… Então nosso coração entristecido aceitou a ideia de que Lake Tahoe e a materialização dos cenários cinematográficos de Cidade dos Anjos teria que ficar para uma próxima vez….

 

Mas chega de blablabla e vamos ao que interessa!

 

 

MAMMOTH LAKES

Rápido flashback do final do relato de ontem: a noite trouxe o frio e a manhã estava gelada… E foi lindo deixar as persianas abertas e acompanhar o clarear do dia atrás dos montes… Hoje sentimos pela primeira vez a verdadeira experiência de acampar e de curtir toda a aventura de estar em um motorhome.

Pra quem já está acostumado a acampar pode não ser grande coisa… Mas a proteção de um carro contra a noite fria versus uma barraca não dá nem pra comentar, né… Eu já tinha deixado uma das persianas abertas esperando acordar com a paisagem ao nascer do sol, e não poderia ter feito coisa melhor…. Aquela vista ao acordar me fez ter uma súbita vontade de largar tudo e adotar esse estilo de vida pra sempre: trabalhar viajando a bordo de um motorhome.

Mammoth Lakes rende, sozinho, um excelente lugar para ficar durante uma semana inteira… O complexo conta com lagos, montanhas, floresta, cheirinho de verde, cachoeiras, vistas impressionantes e formações rochosas espetaculares, fissuras de terremotos antigos… O lugar respira a evolução da natureza ao longo de bilhões de anos e mostra como nossa vida é um pedacinho de nada na história da Terra… Há opções e atrativos para todas as épocas e estações do ano, e por isso o local atrai tantos americanos que gostam de passar tempo em família em meio à natureza. Tem até o maior parque de moutain bike dos EUA e lagos de água termal. Diversão completade ponta a ponta.

Apesar de ter pouco mais de 8 mil moradores, a vila recebe mais de 1 milhão de turistas todos os anos. Impactante, né… Por aí você já consegue ter uma ideia do cenário…. É natureza e muito espaço à inteira disposição. E o melhor: com respeito à preservação do meio ambiente!

Me empolguei em curtir o clima campista, preparei meu cereal e fui pra fora aproveitar a mesa de piquenique disponível em nossa estação. Tomei café no sol pra esquentar a manhã fria, acompanhada de um simpático esquilo.

Depois resolvemos aproveitar pra dar uma esticada até o lago que concluímos estar perto pelas várias voltas que demos na noite anterior até chegar ao lugar (e também pelo som da água). A caminha até a beira do lago foi breve…. E como o lago é cercado por árvores e arbustos altos, você não sabe exatamente o que esperar, a não ser que terá água….

Mas a vista que encontra depois de ultrapassar o paredão verde é quase indescritível… Um lago enorme de água cristalina com um horizonte verde, branco e azul ao fundo. Uma pintura perfeita a céu aberto.

Não vá se você não curte mosquitos, insetos, formigas e outros bichinhos. Mas se souber conviver em paz com eles, terá uma das experiências mais incríveis!

A vista era tão linda que demos um tempo por aí…. Caminhamos por uma parte do píer para observar a paisagem por outros ângulos enquanto imaginávamos a infinidade de atividades que dava pra fazer só naquele trecho do Convict Lake no verão: caiaque, stand up paddle, pesca….. Tudo que você imaginar… E esse era apenas um dos vários lagos na região.

Apesar da vontade enorme de ficar ali o resto do dia, Yousemite nos chamava. E era enorme e precisava de tempo… Então voltamos para o motorhome, nos despedimos com o coração acariciado por tanta beleza e partimos para a estrada. Seriam 2h30 de estrada até a primeira paradinha em Olmsted Point para uma rápida foto e depois mais 50 minutos de chão até a entrada do Parque Nacional de Yousemite.

 

YOUSEMITE

A caminho de Yousemite, o cenário cercado de grandes pinheiros já anunciava que estávamos na rota certa…. E mal sabíamos que a altitude do Grand Canyon não era nada perto dos 9945 feets que bateríamos no portal de entrada de Tigoa.

O parque cobre uma área de 3 081 km² e recebe a visita de cerca de três milhões de visitantes por ano. É reconhecido internacionalmente pelos seus espetaculares desfiladeiros de granito, cascatas, arroios claros, bosques de sequoias gigantes e grande biodiversidade, que lhe valeram a designação de Património Mundial em 1984.

Das sete mil espécies de plantas existentes na Califórnia, cerca de metade está na Serra Nevada, e mais de 20% das espécies concentra-se em Yosemite. O parque conta também com registros documentais da presença de mais de 160 plantas raras, com solos únicos e formações geológicas também elas raras, que caracterizam as áreas restritas que estas plantas ocupam.

Muitas curvas – e paisagens paradisíacas a cada uma delas – revelavam porque o lugar é chamado também de “Jardim de Deus”…  

Paramos para almoçar em um trecho a caminho de Yousemite Village, em meio à algumas das tantas sequóias do parque. O sono estava batendo no pós almoço. Aproveitei pra arejar e tirar umas fotos bacanas.

Depois seguimos para a jornada cheias de pequenos paraísos. Fomos parando de ponto em ponto pra garantir cliques e o visual de cada pedacinho daquela riqueza natural.

Parecia que cada detalhe tinha sido calculado milimetricamente para compor cenários perfeitos. E se o homem pode conviver com isso sem estragar, porque não fazer o mesmo em qualquer outro lugar, não é mesmo?

Quando estávamos perto do Village, trânsito na floresta! Isso nos atrasou bem uns quarenta minutos.

No geral, nós pegamos o mapa na entrada do Parque e tentamos cobrir os principais pontos de observação e mirantes, com uma meta principal: chegar ao Glacier Point.

O caminho para o Glacier Point consiste basicamente em subir montanha acima, até um dos pontos mais altos do parque, de onde você fica cara a cara para o Half Dome, com mais de 1.500 metros de altitude.

Só que o grande detalhe é o trajeto: são inúmeras curvas – como subir a serra para a praia – com enormes desfiladeiros sem acostamento ao seu lado. Nunca a espinha gelou tanto em tão pouco tempo. Achei que meu irmão ia ter um colapso cardíaco nesse dia.. Ele nem falava… hahahaha…

O lado ruim de dirigir o grandalhão nessas curvas todas é que não dava pra curtir tanto a vista… O olho não saia da estrada de tanto pavor de errar um calculo e cair penhasco abaixo…

Além disso, o Glacier Point é o mais concorrido ponto de observação ao fim do dia, pois todo mundo quer ir pra lá conferir o pôr do sol. E não que essa fosse a nossa intenção inicial, mas o trânsito e nosso atraso nos fizeram chegar lá por volta das das 17h…. Então, imagine só….

A entrada do estacionamento nesse trecho é tão apertada e curva que veículos longos não passam. O motorhome que estávamos era dos mais curtos e não virava se tivesse carro na mão oposta, só pra você ter ideia… Com folego curto e o forévis mais apertado que nunca, chegamos lá rs…

E o que encontramos foi muita gente reunida pra ver o pôr do sol… e um casamento rolando!!! É isso aí… Noiva, noivo e uma coleção de padrinhos e madrinhas fazendo fotos, pois a cerimônia já tinha acabado….

Demos uma volta curta e procuramos um ponto pra admirar a paisagem. Só não ficamos até o pôr do sol porque sair daquele pedacinho e fazer todo o trajeto de volta (imagine só que o Glacier Point é uma gigantesca rua sem saída, rs) com toda aquela gente ia ser muita emoção pra um dia só…

Então resolvemos partir antes do sol se esconder e tentar dar uma espiada na Bridalveil Fall. O ideal era termos observado a cachoeira na ida, mas o movimento era tanto que a fila de entrada para o estacionamento estava estrada afora… Preferimos não perder tempo na fila e tentar a estratégia do contrafluxo.

Não que isso tenha nos salvado do trânsito, mas deu pra ver a cachoeira bem mais sossegado no fim do dia…. Só que sem o impacto do brilho do sol na água. No mês de setembro boa parte das cachoeiras e lagoas secam, então tinha só um filete de água correndo e não tinha a menor chance de vermos as águas com efeitos de arco íris e ouro, coisa que deleita o olhar em algumas épocas do ano. Mas estava bonito mesmo assim!

Nisso já eram quase 19h e tivemos que abortar qualquer chance de ir até Mariposa para ver as sequoias gigantes… Até porque no escuro não veríamos nada mesmo… Então fizemos uma última parada no bosque para jantar e seguir até nosso próximo destino: San Francisco.

No trajeto de volta cruzamos com o bambu na estrada nos dizendo até a próxima e parece até que já deu uma saudade sem nem ter saído de Yousemite….

Pegamos a Highway 140 e seguimos noite adentro. É uma droga como o escuro ofusca todas as belezas. Contudo, por outro lado, é quando reinam apenas as estrelas…

Continuamos subindo até q um clarão começou a surgir atrás de uma das montanhas… Era a lua que estava encoberta pelos altos picos e agora surgia cheia, linda e soberana, mais iluminado do que nunca.

Nunca vi tantas estrelas e tão grandes juntas. É como se estar no alto de Yousemite nos deixasse um pouco mais perto do céu.

Estar em Yousemite nos fez entender que aquela longa compreensão da viagem tinha mais um capítulo: descobrimos que se eram preciso 500 milhas pra chegar a Vegas e 1000 pra deixá-la pra trás, eram necessárias ter na contagem 1600 pra sair do inferno do sacolejo kkkkk… Mas são preciso quase 1600 milhas pra chegar ao paraíso…

 

A CAMINHO DE SAN FRANSCISCO

Seguimos por quase quatro horas até Ceres, onde chegamos quase meia noite e paramos no Dennys para jantar. O Matchbox Twenty me fez excelente companhia o tempo todo, mas precisava recarregar as baterias.

E foi neste trecho que começamos a perceber que toda aquela facilidade de estacionar nos Wallmarts da vida para passar a noite começaria a não ser tão simples nas redondezas de San Francisco…

Peguei meu mapinha e nada de um Wallmart 24 horas por perto. Nem sinal de camping ou estacionamentos abertos naquele horário… Lascou-se, né… Pegamos a referência do Wallmart 24h mais próximo e subimos até Martinez, que nos rendeu mais 1h30 na estrada e muita canseira. Nessa noite eu rezei com mais força para não sermos expulsos do estacionamento, porque eu já estava muito podre para dirigir meia quadra que fosse… rs

Capotamos depois de um dia cheio… Mas bastante empolgados pelo dia seguinte: San Francisco nos esperava!

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ROTEIRO COMPLETO
 >> Para conferir o relato completo navegue pelo roteiro AQUI

FOTOS >> Para ver mais fotos espie os destaques no meu perfil do instagram: @leticiaspinardi

 

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